Criptomoedas – Buy, Sell or Hold?

Afinal, para que servem os bancos?

Além dos produtos financeiros oferecidos, os bancos tem um papel óbvio muitas vezes esquecido: o banco garante que a mesma quantia de posse de alguém não seja gasta mais de uma vez.

Parece óbvio, mas é a essência do sistema. Assim que você paga alguém, o banco debita sua conta e credita o beneficiário. Imagine se este processo demorasse, ou se não fosse confiável? Quem está recebendo uma determinada quantia não teria certeza do crédito, e quem está pagando poderia gastar livremente até a instituição financeira perceber que ele já não tinha mais fundos para realizar aquela transação.

Em suma, os bancos agem como intermediários de toda e qualquer transação, controlando os saldos de pessoas físicas e jurídicas.

Como tudo na vida, o sistema tem vantagens e desvantagens. A principal vantagem é que é um ambiente estável, regulado e controlado, fruto de mais de 200 anos de aprimoramento e controle. A grande desvantagem é que o controle pode ser exercido para o mal por governos não-democráticos, através de censura e perda de privacidade.

Agora tente imaginar um sistema financeiro sem controle central, capaz de processar de forma autônoma e em escala mundial as transações financeiras. Parece impossível? Bem-vindo ao mundo das criptomoedas. Se você já está intrigado, prepare-se para ficar mais – a história do surgimento do Bitcoin, a primeira criptomoeda de sucesso, parece saída de um livro de ficção científica e drama policial.

Há cerca de 8 anos, surgiu na Internet um documento com a proposta de uma moeda autônoma, escrito por uma pessoa com pseudônimo de Satoshi Nakamoto, que junto com outros programadores colocaram o sistema para funcionar. Passado um ano, Satoshi gerou um crédito para ele em valor atual de US$ 500 milhões e SUMIU. Até hoje ninguém conseguiu descobrir sua verdadeira identidade.

Sem entrar muito na matemática e nos detalhes técnicos envolvidos, a base do Bitcoin (e da maioria das criptomoedas) é a seguinte: Existe, em escala mundial, uma lista de todas as transações realizadas (o “blockchain”). Transações vão ocorrendo ao longo do tempo e vão sendo incorporadas ao ‘blockchain’, protegidas por criptografia complicadíssima realizada por milhares de equipamentos voluntários, conhecidos por ‘mineradores’, espalhados pelo mundo.

Como o ‘blockchain’ possui o registro de todas as transações já realizadas, é fácil descobrir se determinada conta tem ou não saldo para realizar um pagamento – basta percorrer o ‘blockchain’ somando creditos e subtraindo débitos de uma determinada conta, uma tarefa fácil para um computador. Tchau bancos.

Para compensar o trabalho voluntário dos mineradores, a cada novo bloco de transações incorporadas ao ‘blockchain’ é criada uma transação bônus, criando novas moedas que serão distribuidas entre os mineradores envolvidos na criação daquele bloco.

A base da segurança do sistema é o fato de ele estar distribuído mundialmente (conhecida por tecnologia ‘peer-to-peer’) e pelo fato de o esforço computacional para fraudar o ‘blockchain’ ser tão absurdamente enorme que nenhum minerador consegue reunir computadores suficientes para tal.

Como tudo novo, o grau de incerteza das criptomoedas é enorme. Embora a tecnologia em si nunca tenha sido fraudada, já ocorrerar diversos casos de ‘pirâmides’ e instituições que se alavancaram em esquemas não ortodoxos e acabaram quebrando, deixando um rastro de destruição e desconfiança. Some-se a isso o fato de a regulamentação sobre ganhos de capital em criptomoedas ainda não estar consolidada, e o fato de os governos não olharem com bons olhos a incapacidade de controlar a oferta de dinheiro criada, e temos um mercado extremamente volátil e imprevisível.

Após o surgimento do Bitcoin e moedas similares, o mercado vem presenciando o surgimento de uma nova geração de criptomoedas, dispostas a expandir o conceito original e corrigir imperfeições do modelo original (estima-se que o gasto atual de eletricidade na mineração de Bitcoins é equivalente a uma cidade de 5 milhões de habitantes, pois grande parte do trabalho é duplicado e desperdiçado).

A moeda alternativa que vem ganhando mais destaque recentemente é justamente o Ethereum (ETH). Como diferencial, esta moeda possui uma característica chamada de ‘smart contracts’, onde o sistema pode ser programado para automaticamente reagir a determinadas situações, como pagar dividendos automaticamente em caso de determinada rentabilidade ser atingida, etc.

Um outra capacidade interessante do ETH é o fato da moeda poder ser customizada através de programação, possibilitando, por exemplo, empresas criarem programas de fidelidade com criptomoedas próprias ou ligadas ao Ethereum.

Em resumo: Trata-se de um novo mercado, fascinante e extremamente volátil. Como tudo novo, traz seus riscos e eventuais oportunidades para ganhos expressivos. O autor não pretende aqui influenciá-lo em nenhuma direção, apenas introduzi-lo ao assunto. Como sempre, a decisão final é sua, investidor consciente e bem informado – buy, sell or hold?